quarta-feira, 8 de abril de 2009

Pegada, triangulo, chave de braço, raspagem... Para alguns essas palavras não fazem muito sentido, em contrapartida, usá-las de forma incorreta pode, para outros, ser o fim. Conheça agora um pouco mais sobre o Jiu-Jitsu e Robson Gracie, herdeiro do mais tradicional clã da arte, difundida no Brasil.
por Juliana Duarte


Quando o assunto é luta, as opiniões se divergem. Quando a luta é Jiu-Jitsu então, vira polemica.
A arte que começou a muitos anos na Índia pelos monges budistas, teve passagem pela China e Japão antes de chegar ao Brasil, onde foi aperfeiçoada pela família Gracie, tornando-se conhecida mundialmente.
Utilizando o mínimo de força, a luta que significa ‘arte suave’, parte do principio da física e tem como características principais sua base, o uso de alavancas e a harmonia entre a flexibilidade e a mente, que faz da luta uma das mais requintadas. Porém, isso ainda não é o suficiente para mudar a imagem deturpada que muitos tem a respeito do JJ. Infelizmente muitas rixas de ruas são associadas ao esporte, fazendo com que os leigos aceitem a condição de que o Jiu-Jitsu sirva somente para ‘pancadaria’, banalizando assim uma filosofia de vida que na realidade, é bem diferente.
Qualquer atleta, não só praticante de JJ, sabe a importância de ter uma vida saudável e regrada. Abrir mão de certos prazeres também faz parte do jogo, que acaba auxiliando na formação do caráter e da autoconfiança, fazendo com que nãa autoconfiança, fazendo com que dade, iço haja necessidade de brigar. Por isso, é preciso muito cuidado e conhecimento antes julgar algum fato ligado ao JJ, afinal, todo atleta que leva a sério e segue a arte da maneira correta tem como principal regra não brigar fora dos tatames.

E para provar que o Jiu-jitsu é coisa séria, segue uma entrevista com o atleta Robson Gracie. O garoto de 19 anos que é neto de Carlos Gracie, considerado o criador de uma dinastia, e irmão dos campeões Renzo, Ralph e Ryan, fala sobre a pressão de carregar o sobrenome Gracie e mostra de uma maneira clara que o Jiu-Jitsu é mesmo uma arte suave, disciplinada e, depois dessa entrevista, apaixonante!



Como foi o seu começo no Jiu Jitsu?
Robson:
Foi bem natural. Desde criança, de 4 a 6 anos meu pai me levava,mas nunca me forçou, tanto que só voltei a treinar mais serio com 11, 12 anos.

Quem foi o maior (a) incentivador (a)?
Robson:
Foi meu irmão Ryan, que mesmo morando longe me ligava. Então quando fiz 15 anos ele me levou pra morar com ele.

Quantas horas você treina diariamente, em média?
Robson:
7h por dia mais ou menos, sendo que 2h de MMA. Fora a parte física.

Quem conhece um pouco do esporte, sabe que a família Gracie tem um peso considerável, principalmente no Brasil. Como é carregar um sobrenome desses?
Robson:
O orgulho é grande pela admiração que as pessoas tem, mas a pressão é maior. As cobranças de ter que vencer sempre... E isso não vem da parte da família não, vem dos que estão a sua volta. Um exemplo: quando eu tinha 13 anos, fui fazer um treino com um adulto bem maior e mais forte. Eu era faixa amarela e ele roxa. Ele me venceu e ficou como se tivesse vencido o mundial.

A alimentação muitas vezes é a base de um atleta. Você segue a 'dieta Gracie'?
Robson:
Seguir firme eu não sigo não ,mas procuro evitar comer certas coisas como, dois tipos carboidratos ou proteína na mesma refeição, leite e carne...

Você pretende lutar também MMA?
Robson:
Quero alguns títulos no Jiu-Jitsu antes de partir pro MMA. Fazer uma pequena historia de pano.

Você vem de uma família de campeões, todos muito respeitados. Além do pai e do avô, é irmão de lutadores de peso que fizeram ou fazem história dentro do JJ. Além do Ralph, Renzo e Ryan, se inspira em mais alguém na hora das lutas?
Robson:
Jesus Cristo! Acho a historia dele incrível, a história de Davi contra Golias... Sou muito religioso, acredito que o lutador treina pra vencer, mas a vitoria vem de DEUS.

Infelizmente, no Brasil, as pessoas tem uma visão distorcida do JJ. Mesmo sem saber sobre o esporte, tiram conclusões precipitadas e falam sem saber do que se trata. O que você acha desse fato, e porque acredita que isso acaba acontecendo?
Robson:
É uma pena, pois o Jiu-Jitsu esta dando emprego a muita gente, tirando muitas crianças das ruas. Acho que as pessoas acreditam muito nos jornais, e não procuram saber realmente a verdade. Não só falando do Jiu-Jitsu, de tudo. Acreditam muito na imprensa que, pra vender, distorce um pouco as coisas.

O Brasil tem grandes promessas no esporte em geral porém, o governo parece não dar muito valor e incentivo. Em relação ao JJ isso cresce ainda mais, por ainda não ser um esporte Olímpico e etc. Você acha que isso ainda pode mudar? Como?
Robson:
Acho que pode sim, mas vai demorar. O Jiu-Jitsu esta praticamente virando americano, pois lá o esporte esta crescendo de forma inacreditável e tem investimento. Acredito que quando os Estados Unidos tomarem conta, o Brasil vai começar a investir.

Jiu Jitsu sempre foi o que você escolheu, ou ainda pretende conciliar outra carreira com os treinos?
Robson:
Nunca gostei de estudar, e meu sonho mesmo era dar uma vida confortável pra minha mãe. Só pelo Jiu-Jitsu vi que poderia ser possível. E pra quando parar de lutar,pretendo estudar a bíblia, me focar nisso!

Tem algum titulo em especial que almeja ser campeão?
Robson:
O mundial, pois tive o azar de 4 anos seguidos me machucar semanas antes da competição.

Como vê a 'arte suave' para mulheres?
Robson: Acho legal a pratica. Na minha opinião todas deveriam fazer, mas competir sou contra. Acho que fica muito bruto.

Robson vai tentar o mundial em 2009, e deixa uma mensagem pra quem pensa em ingressar no esporte:


“No Jiu-Jitsu, aprendi que na vida muitas vezes caímos, somos derrotados,
mas sempre podemos nos levantar e lutar outra vez. Tentar outra vez!
Que o verdadeiro lutador - seja nos tatames ou na vida -
é aquele que mesmo derrotado, não desiste.
Não importa quantas vezes caia, sempre vai se levantar e tentar outra vez.
Aquele que ignora o impossível, e corre atrás dos seus sonhos.
Eu quero morrer velho, mas sempre vou me lembrar de quem eu fui.
Que eu cai sim, mas me levantei e lutei.
Posso até não ter conseguido, mas nunca vou me arrepender de não ter tentado!”




1,3 e 6: Robson em diversos momentos no JJ; 2: No kimono, uma homenagem ao irmão Ryan; 4: Com Ryan, incentivador e ídolo; 5: Renzo, Robson e Ryan: família de campeões; 7: No colo do pai Carlos Gracie Jr, Com o avô Carlos Gracie considerado o criador da dinastia, e o irmão Renzo.

Um comentário:

  1. É verdade, infelizmente a má fama do esporte foi gerada por "atletas" irresponsáveis.

    Adorei o blog meninas! beijo!

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